No último final de semana, assisti ao documentário A Conspiração Consumista na Netflix, e a experiência não poderia ter vindo em melhor hora. Simultaneamente, iniciei a leitura de A Vaca Roxa, de Seth Godin, um autor que sempre traz insights valiosos sobre marketing e consumo.
O documentário e o livro discutem estratégias de persuasão, destacando até a mesma propaganda icônica da Coca-Cola. Embora as abordagens sejam diferentes, convergem para o mesmo ponto: o impacto das estratégias de marketing no comportamento do consumidor.
Como profissionais de marketing e vendas, é importante termos consciência desses processos, para agir com ética, especialmente ao compreender que, muitas vezes, a mentira ou o exagero ainda são ferramentas rentáveis, mas que devem ser evitadas.
A seguir, compartilho os destaques do documentário e algumas reflexões sobre o tema.
O que aborda o documentário A Conspiração Consumista
O documentário explora o impacto do consumismo desenfreado por meio de depoimentos de ex-funcionários de gigantes como Amazon, Apple e Adidas, além de ativistas do consumo consciente. Ele apresenta, de forma irônica, cinco estratégias principais usadas pelas empresas para maximizar lucros:
- compre mais: facilitar ao máximo o ato de compra, reduzindo barreiras e estimulando o consumo por impulso;
- desperdice mais: promover produtos com vida útil curta e o descarte maldoso de itens com pequenos defeitos;
- minta mais: criar campanhas que distorcem informações ou omitem os verdadeiros impactos ambientais e sociais;
- esconda mais: ocultar práticas prejudiciais, como descarte de produtos novos e insustentabilidade da produção;
- controle mais: moldar comportamentos por meio de algoritmos e táticas psicológicas, reforçando hábitos de consumo.
A Psicologia do Consumo Facilitado
Um dos exemplos mais marcantes para mim é o depoimento de uma ex-designer de UX da Amazon, que trabalhou por 15 anos otimizando o site para reduzir o esforço do cliente no ato da compra.
Se você acha que só as bets foram projetadas para viciar pode estar enganado, hoje, basta um clique para que produtos cheguem à porta de casa, transformando desejos momentâneos em compras efetivas. Exemplos disso são postados diariamente nas redes sociais.
A dica da funcionária para evitar essa armadilha é simples: se acha que precisa de algo, deixe no carrinho de compras por um mês antes de decidir.
Obsolescência programada e geração de lixo
O documentário também denuncia como grandes empresas dificultam a manutenção de produtos para estimular o consumo contínuo. Aparelhos como fones de ouvido sem fio são projetados para que a troca de baterias seja impossível, forçando o descarte após poucos anos.
Um exemplo nostálgico? No início dos anos 2000, trocar a bateria do celular era algo simples e acessível. Hoje, muitos aparelhos sequer podem ser abertos pelo usuário.
Os lixos eletrônicos acabam indo para aterros onde as pessoas que trabalham por lá manuseiam as peças carregadas de produtos químicos que podem causar doenças.
A lógica do desperdício se estende ao lixo gerado após datas comerciais, como Natal, Páscoa, Ação de Graças e Black Friday. Empresas descartam produtos novos que não foram vendidos ou com pequenos defeitos, frequentemente danificando-os antes para evitar que sejam reutilizados.
Uma cena chocante do documentário mostra brinquedos intactos, incluindo da marca Lego, sendo jogados fora por funcionários da Amazon, sem qualquer motivo aparente.
Fast fashion: consumo e descarte exacerbado
O setor de moda é outro grande vilão. Com a fast fashion, roupas de baixa qualidade são vendidas a preços tão baixos que incentivam o descarte após poucas lavagens.
Além disso, doações de roupas, que parecem uma solução, nem sempre resolvem o problema: em países como Gana, chegam milhares de roupas diariamente, muito mais do que a população local consegue consumir. Boa parte desses itens acabam se tornando lixo, poluindo praias e oceanos.
Redes sociais e a cultura do desejo
As redes sociais intensificam esse ciclo de consumo, promovendo a ideia de que precisamos de mais para sermos felizes. Anúncios personalizados e influenciadores criam uma falsa sensação de necessidade, muitas vezes relacionada a produtos supérfluos. Essa lógica alimenta o consumo inconsciente, gerando frustração e insatisfação ao invés de realização.
Minha Perspectiva
Pessoalmente, adoto o consumo consciente como filosofia. Prefiro investir em itens duráveis e evitar o acúmulo de bens desnecessários. Com a maternidade, percebi ainda mais como muitos produtos vendidos como “essenciais” são, na verdade, vaidades disfarçadas. Por exemplo, brinquedos infantis lideram o ranking de plásticos descartados.
Embora o documentário seja superficial em algumas conexões – como a relação entre big techs, influenciadores e estratégias de consumo – ele cumpre um papel importante ao trazer o tema para discussão. Afinal, o consumismo é alimentado por um sistema profundamente interligado, que vai das grandes empresas aos nossos comportamentos diários.
Conclusão
O consumo consciente começa com a consciência – um convite para olhar para dentro de si e questionar hábitos. Repensar o que compramos e, mais importante, por que compramos, é um passo essencial para romper com o ciclo do consumismo desenfreado.
Esse ciclo não afeta apenas o meio ambiente, mas também nossas vidas de forma mais ampla. Dívidas acumuladas, jornadas exaustivas para ganhar mais dinheiro às custas de momentos com a família e amigos, e uma constante insatisfação com o presente são sintomas de uma mentalidade consumista que precisamos transformar.
A reflexão começa por pequenas mudanças, mas seu impacto pode ser integral.
E você, o que pensa sobre isso? Se quiser compartilhar suas ideias ou experiências, deixe seu comentário abaixo. Vamos continuar essa conversa.


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